Quem decide fazer uma constelação familiar em São Paulo logo percebe que não faltam opções. Há workshops anunciados nas redes sociais, cursos de fim de semana, espaços de bem-estar com a agenda cheia e gente que passa a se apresentar como constelador depois de poucas horas de formação. Com tanta oferta, a dúvida já não é se vale a pena constelar. A dúvida passa a ser com quem e onde.
Essa escolha pesa mais do que parece. A constelação mexe com assuntos delicados, como a relação com os pais, uma herança que afastou os irmãos ou a sucessão numa empresa da família, e o jeito de conduzir a sessão muda o que a pessoa leva para casa. Este texto reúne critérios práticos para escolher bem, a partir da experiência de Frederico Ciongoli. Ele constela desde 2008 e viu de perto, dentro dos fóruns, o que acontece quando o trabalho é feito com cuidado e quando não é.
Uma prática sem conselho profissional
A primeira coisa a saber é que a constelação familiar não é uma profissão regulamentada no Brasil. Médicos, psicólogos e advogados têm conselhos que registram os profissionais, fiscalizam a conduta e recebem denúncias. Os consteladores não têm. Qualquer pessoa pode usar o título, e por isso boa parte da responsabilidade pela escolha fica com quem procura.
O debate público continua em aberto. O Conselho Nacional de Justiça começou a julgar em 17 de outubro de 2023 a regulamentação do uso da constelação no Judiciário, e o julgamento está suspenso por pedido de vista. Na Câmara, o PL 2.166/2024 foi aprovado em comissão em dezembro de 2025 e ainda vai passar pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo Senado. Até que isso se resolva, quem procura um constelador pode se orientar pela trajetória de quem conduz, pela clareza com que ele explica o método e pela honestidade sobre os limites.
Formação e trajetória: o que vale perguntar
Não existe diploma oficial de constelador, mas as formações são bem diferentes entre si. Algumas são longas e outras curtas, algumas têm supervisão e outras não, algumas incluem prática acompanhada e outras ficam só na teoria. Você pode perguntar onde e quando a pessoa se formou, com quem estudou e há quanto tempo conduz constelações. Um constelador sério responde a isso sem incômodo.
Frederico se formou em Fenomenologia Sistêmica Familiar na Multiversity de Pune, na Índia, em 2008, e fez treinamento com Bert Hellinger, o criador da abordagem. Advogado de origem, começou a levar a constelação ao Judiciário em 2012 e, desde então, conduziu mais de mil constelações em litígios familiares e sucessórios. Esse histórico não serve para encerrar a discussão. É informação que qualquer pessoa pode conferir antes de decidir.
Outras perguntas úteis para uma primeira conversa:
- Como é a sessão do começo ao fim, e quanto tempo ela dura?
- O trabalho vai ser em grupo, com representantes, ou individual, com bonecos ou marcadores?
- O que acontece se eu quiser parar no meio?
- Em que situações você recomenda buscar outro tipo de ajuda antes?
Assista ao trabalho antes de marcar
Um jeito simples de conhecer um constelador é vê-lo trabalhando. Relatos e depoimentos dizem pouco, porque quem divulga escolhe os que vai mostrar. Já uma constelação filmada do começo ao fim, com data e lugar, mostra o tom da condução, as perguntas feitas, o respeito pelo tempo de quem constela e a forma de encerrar.
Frederico deixa esse material aberto no canal youtube.com/@salitre1000. Lá estão a constelação sobre alienação parental feita ao vivo na OAB central de São Paulo em 2014, a de um pai e uma filha que se reencontraram 35 anos depois, gravada na Câmara Municipal de Uberlândia em 2015, e a que tratou da estratégia num conflito de herança, na AASP, a Associação dos Advogados de São Paulo, em 2017. Ver um desses vídeos antes de marcar ajuda a saber se esse jeito de trabalhar combina com você.
Sinais de uma condução cuidadosa
Algumas atitudes costumam mostrar que o constelador leva o trabalho a sério:
- ele pergunta por fatos da família, como mortes precoces, separações, filhos que não nasceram e pessoas excluídas, e não por opiniões sobre quem tinha razão;
- deixa a imagem surgir, em vez de dizer de antemão o que a família "tem";
- aceita quando a pessoa não quer continuar ou não concorda com uma frase sugerida;
- explica com clareza o que a constelação não faz;
- encaminha para outro profissional quando percebe que o caso precisa disso.
Conversar sobre a questão antes de qualquer compromisso também é um sinal de cuidado. Nessa conversa, o constelador avalia se o tema cabe numa constelação, e quem procura entende como o trabalho seria feito.
Sinais de alerta
Algumas atitudes pedem cautela. Desconfie de quem promete resultado, como reconciliar um casal, destravar um processo ou mudar o comportamento de um parente que nem esteve na sessão. Desconfie também de quem dá interpretações prontas e definitivas sobre a sua família, ainda mais em tom de sentença, e de quem insiste em várias sessões seguidas sobre o mesmo assunto.
Há um alerta mais grave: qualquer proposta de usar a constelação para aproximar uma vítima de quem a agrediu. Em casos de violência doméstica ou contra criança, a proteção vem antes de tudo. A Central de Atendimento à Mulher atende pelo 180 e, em emergência, o número é o 190. Um constelador responsável nunca coloca a reconciliação acima da segurança.
Em grupo ou individual: o que muda na escolha do lugar
O espaço ideal depende do formato. Nos workshops em grupo, outros participantes representam a família de quem constela, e o lugar precisa oferecer privacidade e tempo para isso. Muita gente começa só como participante ou representante, sem trazer uma questão própria, justamente para conhecer o trabalho de perto.
Na sessão individual, a família é representada por bonecos ou marcadores, e a conversa fica mais reservada. Esse formato costuma atrair quem traz um tema muito íntimo, como um inventário ainda em andamento ou um conflito na sucessão da empresa da família, e não quer expor detalhes diante de desconhecidos. Vale perguntar ao constelador qual formato ele indica para o seu caso e por quê.
O que a constelação não substitui
Escolher bem inclui saber o que esperar. A constelação é uma abordagem de autoconhecimento. Ela não é psicoterapia e não substitui a psicoterapia nem o acompanhamento médico ou psiquiátrico. O Conselho Federal de Psicologia se posicionou sobre o tema na Nota Técnica CFP 1/2023, e quem procura a constelação deve conhecer esse documento. Quem já faz algum acompanhamento deve continuar com ele.
Na área jurídica é a mesma coisa. Num divórcio, numa disputa de guarda ou numa partilha, a constelação pode ajudar a enxergar o que existe por trás do conflito, mas as decisões continuam com o advogado e com o Judiciário. Frederico, que é advogado de formação, faz questão de manter essa separação. E se o sofrimento estiver muito forte, ou se aparecerem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda imediata: o CVV atende pelo 188, todos os dias, a qualquer hora.
Constelação familiar em São Paulo: os dois endereços
Frederico faz constelações presenciais em dois lugares da cidade. Em Pinheiros, atende no Espaço Fruto da Vida, na Rua Fradique Coutinho, 212, conj. 25, perto da estação Fradique Coutinho do metrô, na Linha 4-Amarela. Na zona sul, atende no Purusha, na Rua São Benedito, 1532, em Santo Amaro. Os workshops em grupo costumam ser às quintas-feiras à noite, e as sessões individuais são marcadas de acordo com a agenda.
Para agendar ou tirar dúvidas, o contato é pelo WhatsApp (11) 97133-5703. Na primeira mensagem, vale dizer qual questão você quer olhar. A partir disso, ele explica qual formato faz mais sentido e em qual dos dois endereços.
Escolher um constelador é, em boa medida, decidir a quem confiar uma parte da história da sua família. Faça essa escolha com calma, pergunte o que precisar e, se puder, veja antes o trabalho acontecendo.