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O que é Fenomenologia Sistêmica e em que áreas da vida ela se aplica
Frederico Ciongoli na tribuna do Senado Federal, com a bandeira do Brasil ao fundo
Senado Federal · 2022 Em 2022, Frederico Ciongoli apresentou, no Senado Federal, os resultados de suas pesquisas de Fenomenologia Sistêmica sobre os aspectos ocultos da História do Brasil.

01No Judiciário, no Senado e em Portugal

Constelações filmadas ao vivo

Assista às constelações conduzidas por Frederico no Judiciário (filmadas ao vivo).

  1. OAB central de São Paulo · 2014

    Alienação parental

    Em 2014 Frederico facilitou a primeira Constelação filmada ao vivo no Judiciário Brasileiro.

    Vídeo na íntegra
  2. Senado Federal · 2022

    Dinâmicas ocultas da História do Brasil

    Quebrou os protocolos e conduziu um movimento sistêmico em pleno plenário do Senado Federal.

    Vídeo na íntegra
  3. Câmara Municipal de Uberlândia · 2015

    Pai e filha, 35 anos depois

    Vídeo na íntegra
  4. AASP, Associação dos Advogados de SP · 2017

    Estratégia num conflito de herança

    Vídeo na íntegra
  5. OAB/MG · 2018

    “Filho quer morrer no lugar do pai”

    Tema: menor infrator

  6. Mafra, Portugal · 2026

    O roteiro do filme sobre a alma do Brasil

    Roteiro do filme escrito por Frederico sobre o viés espiritual da História do Brasil.

    Vídeo na íntegra

02Constelação Familiar, na teoria e na prática

O que é Fenomenologia Sistêmica

A Constelação Familiar é uma abordagem de natureza fenomenológica e sistêmica que propõe uma ampliação do olhar sobre os relacionamentos humanos, especialmente sobre os vínculos familiares e os padrões que podem se repetir ao longo das gerações.

Desenvolvida e difundida pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990, a abordagem parte de uma premissa fundamental: o indivíduo não pode ser compreendido de forma inteiramente isolada do sistema ao qual pertence.

Cada pessoa faz parte de uma rede de vínculos, histórias, acontecimentos, perdas, conflitos e pertencimentos que antecedem sua própria existência. Sob essa perspectiva, determinados comportamentos, dificuldades relacionais e conflitos podem estar associados não apenas à história individual, mas também às dinâmicas existentes no sistema familiar.

A consciência do clã

A partir de suas observações em trabalhos vivenciais com famílias e grupos, Hellinger formulou o conceito de uma consciência sistêmica, também chamada, em determinadas abordagens, de Consciência de Clã.

Segundo esse modelo, existe nos sistemas familiares uma tendência à preservação da coesão, do pertencimento e do equilíbrio do grupo. Essa dinâmica seria, em grande parte, inconsciente e poderia influenciar seus membros independentemente de suas intenções conscientes.

As três Ordens do Amor

Hellinger identificou três princípios fundamentais que denominou Ordens do Amor:

  1. Pertencimento Todos aqueles que fazem parte de um sistema familiar possuem o direito de pertencer. Exclusões, rejeições ou esquecimentos de membros importantes podem repercutir simbolicamente nas gerações seguintes.
  2. Hierarquia ou ordem de chegada Aqueles que chegaram antes ocupam uma posição diferente daqueles que vieram depois. Pais antecedem os filhos; os filhos mais velhos antecedem os mais novos; relações anteriores também fazem parte da história afetiva de uma pessoa.
  3. Equilíbrio entre dar e receber Especialmente nas relações entre adultos, os vínculos tendem a se fortalecer quando existe reciprocidade entre aquilo que se oferece e aquilo que se recebe.

Quando esses princípios são profundamente perturbados, a abordagem sistêmica procura observar se outros integrantes da família podem, consciente ou inconscientemente, identificar-se com conflitos, perdas ou destinos anteriores.

Lealdades invisíveis

Um dos aspectos centrais da Constelação Familiar é a observação das chamadas lealdades invisíveis.

Imagine, por exemplo, uma família na qual um pai tenha enfrentado alcoolismo, fracassos profissionais ou outras dificuldades e, em consequência disso, tenha sido rejeitado ou desqualificado dentro do ambiente familiar.

Movida pela intenção de proteger o filho, uma mãe poderia transmitir mensagens como:

“Não seja como seu pai.”

Do ponto de vista sistêmico, porém, o filho continua pertencendo igualmente ao pai e à mãe. Assim, uma rejeição intensa a uma de suas origens pode produzir conflitos internos de pertencimento e identidade.

A Constelação investiga justamente situações nas quais um descendente parece repetir, simbolicamente, comportamentos ou destinos de alguém que foi rejeitado, esquecido ou excluído.

Dentro dessa perspectiva, a repetição seria compreendida não como uma escolha racional, mas como uma forma inconsciente de identificação e pertencimento:

“Pai, eu também pertenço a você.”

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Isso ajuda a compreender um princípio importante do pensamento sistêmico: pertencer a uma família não significa necessariamente repetir o destino de seus antepassados.

O trabalho procura justamente favorecer uma diferenciação mais saudável: reconhecer aquilo que pertence aos pais e aos antepassados, honrar a própria origem e, ao mesmo tempo, permitir-se construir um destino diferente.

O indivíduo como parte de um sistema

A abordagem sistêmica amplia, portanto, o campo de observação.

Em vez de perguntar apenas:

“O que há de errado com esta pessoa?”

procura-se também investigar:

“Em qual sistema esta pessoa está inserida e quais acontecimentos importantes podem estar relacionados à situação que ela vive atualmente?”

Mortes precoces, abandonos, separações traumáticas, adoções, abortos, exclusões, injustiças, falências, perdas patrimoniais, guerras, migrações, segredos familiares e outros acontecimentos relevantes podem ser considerados durante a investigação sistêmica.

O objetivo não é determinar mecanicamente que um acontecimento do passado “causou” um problema atual, mas ampliar a percepção sobre possíveis vínculos e padrões familiares.

Como se desenvolve uma constelação

A Constelação pode ser realizada em grupo ou individualmente.

Inicialmente, o cliente apresenta uma questão que deseja compreender. O facilitador procura obter informações essenciais sobre acontecimentos relevantes de sua vida e da história familiar, particularmente envolvendo pais, irmãos, avós e relacionamentos importantes.

Não é necessário revelar indiscriminadamente segredos ou detalhes íntimos. O foco está nos acontecimentos considerados relevantes para a compreensão do sistema.

No trabalho em grupo, o cliente pode escolher participantes para representar a si próprio e determinadas pessoas de sua família. Esses representantes são posicionados no espaço de acordo com a percepção inicial do cliente.

A partir dessa configuração, o facilitador observa posições, distâncias, movimentos e as percepções relatadas pelos representantes.

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Ao longo do trabalho, podem ser realizados movimentos, reposicionamentos e utilizadas frases de reconhecimento, pertencimento ou reconciliação, buscando construir uma imagem sistêmica diferente daquela apresentada inicialmente.

Em determinadas constelações, ao final do processo, o próprio cliente ocupa seu lugar na configuração para vivenciar corporal e emocionalmente a nova imagem construída durante o trabalho.

A proposta é fazer com que a compreensão não permaneça apenas no campo intelectual, mas possa também ser experimentada subjetivamente pelo cliente.

A Constelação Familiar, entretanto, não substitui psicoterapia, acompanhamento médico ou psiquiátrico quando estes forem necessários. Ela pode ser utilizada como uma abordagem complementar de investigação e reflexão sobre vínculos e padrões familiares.

O que pode ser trabalhado

A abordagem sistêmica pode ser utilizada para investigar diferentes questões da vida pessoal, familiar e profissional, entre elas:

  • conflitos entre pais, filhos, irmãos e outros membros da família;
  • dificuldades nos relacionamentos conjugais e afetivos;
  • conflitos relacionados a separações e relacionamentos anteriores;
  • luto e dificuldades de elaboração diante da morte de pessoas importantes;
  • sentimentos de culpa, rejeição ou exclusão dentro da família;
  • adoção e questões relacionadas à origem e ao pertencimento;
  • dificuldades relacionadas à maternidade e à paternidade;
  • padrões familiares repetitivos;
  • conflitos envolvendo patrimônio, heranças e sucessões;
  • dificuldades escolares ou relacionais de crianças e adolescentes, observadas dentro do contexto familiar;
  • dependência química, sempre como abordagem complementar ao tratamento especializado;
  • conflitos profissionais e empresariais;
  • dificuldades relacionadas a sociedades, empresas familiares e sucessão empresarial;
  • conflitos envolvendo compra, venda e administração de patrimônio;
  • questões relacionadas a processos judiciais, especialmente quando existem fortes componentes familiares, relacionais ou sucessórios.

Tornar visível o que estava oculto

Talvez uma das contribuições mais características da Constelação Familiar seja justamente esta:

tornar visíveis determinadas dinâmicas relacionais que, até então, permaneciam ocultas para a pessoa.

Muitas vezes sabemos racionalmente aquilo que desejamos mudar, mas continuamos repetindo determinados padrões.

A abordagem sistêmica procura investigar se, por trás dessa repetição, existem vínculos, identificações, conflitos de pertencimento ou histórias familiares que ainda exercem influência sobre a maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma e com os outros.

Quando uma dinâmica é percebida, reconhecida e integrada, pode surgir uma nova possibilidade de posicionamento diante da própria história.

A finalidade do trabalho não é apagar o passado nem julgar quem estava certo ou errado.

É reconhecer o que aconteceu, devolver a cada pessoa aquilo que lhe pertence, restabelecer simbolicamente lugares e vínculos e permitir que o indivíduo se relacione de maneira mais livre com a própria história familiar.

Nesse sentido, a Constelação Familiar propõe uma mudança fundamental de perspectiva:

deixar de olhar apenas para o indivíduo e passar a enxergá-lo como parte de um sistema de relações, vínculos e histórias que atravessam gerações.

03Áreas de aplicação

Onde mais o olhar sistêmico se aplica

Além das questões familiares e de relacionamentos, o trabalho fenomenológico pode ser aplicado em diferentes áreas da vida:

Empresas

Constelação Empresarial é uma abordagem fenomenológica e sistêmica utilizada para explorar relações, padrões e dinâmicas presentes em empresas e organizações, oferecendo novas perspectivas para a compreensão de conflitos, decisões e processos organizacionais.

Em uma sessão, podem ser representados elementos como empresa, sócios, clientes, funcionários, produtos, concorrentes, projetos ou objetivos. A representação é utilizada para explorar relações e possíveis padrões organizacionais que não estejam evidentes numa análise convencional.

Pode ser aplicada, por exemplo, para investigar conflitos entre sócios, sucessão familiar, dificuldades de liderança, posicionamento de equipes, processos de compra e venda de empresas, resistência a mudanças ou impasses em projetos.

Processos judiciais

A Constelação aplicada a processos judiciais é uma utilização da abordagem sistêmica para explorar relações, conflitos e interesses existentes por trás de um litígio, especialmente quando há vínculos familiares, societários ou patrimoniais entre as partes.

Podem ser representados elementos como autor, réu, objeto da disputa, patrimônio, empresa, herança, contrato ou outros envolvidos. O trabalho busca oferecer à pessoa uma perspectiva sobre padrões relacionais e possíveis caminhos de composição do conflito.

No Brasil, práticas inspiradas em abordagens sistêmicas já foram utilizadas em contextos do Judiciário, e Frederico Ciongoli foi um dos pioneiros, especialmente associadas à busca de conciliação e mediação.

Heranças

Constelações Familiares aplicadas a conflitos de herança

A Constelação Familiar pode oferecer um novo olhar para os conflitos envolvendo heranças, inventários e partilhas de bens, especialmente quando as disputas entre irmãos, pais e outros familiares ultrapassam as questões meramente patrimoniais.

Por meio do trabalho sistêmico, é possível trazer à luz dinâmicas familiares ocultas, ressentimentos, exclusões, sentimentos de injustiça e conflitos antigos que podem estar influenciando a disputa atual.

Ao ampliar a compreensão dessas dinâmicas, a Constelação Familiar pode favorecer novas possibilidades de diálogo, conciliação e construção de acordos, contribuindo para que os envolvidos encontrem caminhos para a resolução do conflito e para a preservação das relações familiares.

Sintomas e doenças

Na perspectiva da Fenomenologia Sistêmica, sintomas e doenças podem ser compreendidos também como manifestações de conteúdos inconscientes. O corpo, muitas vezes, torna-se um campo de expressão daquilo que a consciência ainda não conseguiu reconhecer, elaborar ou integrar.

A Fenomenologia Sistêmica busca revelar essas dinâmicas ocultas, trazendo à luz possíveis vínculos, conflitos e emaranhamentos inconscientes que podem estar relacionados à experiência do adoecimento. Ao ampliar essa compreensão, o trabalho sistêmico pode contribuir para o processo de autoconhecimento e para uma abordagem mais integral da saúde, atuando de forma complementar (e não substitutiva) aos cuidados médicos e psicológicos.

Compra e venda de imóveis

Constelações Familiares aplicadas à compra e venda de imóveis, terrenos e sítios

A Constelação Familiar pode oferecer um olhar sistêmico sobre dificuldades e conflitos que surgem nos processos de compra e venda de imóveis, terrenos, sítios e propriedades familiares.

Em determinadas situações, um imóvel pode estar envolvido em vínculos afetivos, conflitos familiares, questões de herança, sentimentos de pertencimento, perdas ou acontecimentos marcantes, que influenciam a maneira como seus proprietários se relacionam com aquele patrimônio.

O trabalho sistêmico busca trazer à luz essas dinâmicas ocultas, permitindo compreender os fatores emocionais e relacionais envolvidos e favorecendo maior clareza na tomada de decisões e na negociação.

A Constelação pode ser utilizada como ferramenta complementar para trabalhar os aspectos humanos e familiares envolvidos na transação, sem substituir a avaliação jurídica, financeira, documental ou imobiliária necessária à compra e venda.

Frederico Ciongoli sentado num jardim, de camisa clara, olhando para a câmera

04Trajetória

Frederico Ciongoli

Frederico Ciongoli iniciou sua carreira como advogado, mas sua verdadeira vocação sempre esteve voltada ao estudo da psique humana, da espiritualidade e, sobretudo, da Fenomenologia Sistêmica aplicada às relações humanas, campos aos quais se dedica desde 1997.

  1. 1997psique e espiritualidade
  2. 2008formação em Pune, Índia
  3. 2012pioneiro no Judiciário
  4. 1.000+constelações em litígios

Viveu durante cinco anos entre Europa, Oriente Médio e Índia, período em que aprofundou seus estudos sobre espiritualidade e diferentes abordagens terapêuticas. Sua trajetória de formação inclui Respiração Holotrópica, Pulsation (pela Multiversity de Pune, na Índia), Psicanálise, Psicologia Junguiana e Medicina Germânica.

Em 2008, concluiu sua formação em Fenomenologia Sistêmica Familiar (Constelação Sistêmica) pela Multiversity de Pune, na Índia. Também recebeu treinamento diretamente de Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão criador da abordagem das Constelações Familiares.

Desde 2012, destaca-se como um dos pioneiros na aplicação da Fenomenologia Sistêmica no Judiciário. Ao longo dessa trajetória, facilitou mais de mil constelações relacionadas a litígios familiares e sucessórios, contribuindo para a identificação de dinâmicas ocultas e padrões relacionais envolvidos nos conflitos.

Atua também como consultor junto a escritórios de advocacia, aplicando a abordagem sistêmica a questões relacionadas ao Direito de Família, Direito das Sucessões e Governança Familiar. No âmbito corporativo, desenvolve trabalhos de Constelação Empresarial, voltados à compreensão das dinâmicas ocultas sistêmicas presentes nas relações entre sócios, gestores, equipes, empresas e famílias empresárias.

Em 2019, ampliou suas pesquisas ao aplicar os princípios da Fenomenologia Sistêmica à História do Brasil e ao processo de formação do povo brasileiro. Como resultado desse trabalho, lançou, em 2025, um roteiro cinematográfico em formato de livro, no qual apresenta uma leitura sistêmica e espiritual de acontecimentos marcantes da história nacional.

A repercussão de suas pesquisas levou o tema a diferentes espaços de discussão, incluindo uma explanação no Senado Federal, na qual apresentou aspectos e resultados de seu trabalho.

Atualmente, Frederico Ciongoli realiza atendimentos individuais, workshops, cursos, palestras e consultorias, aplicando a Fenomenologia Sistêmica às relações familiares, jurídicas e empresariais.